Artigos

Dicas para as crianças brincarem sozinhas

Cucuuuuuuuuuu!

Cá estou eu de volta, após algum tempo ausente! E cá estamos nós em mais um confinamento… Espero portanto que este artigo @ encontre bem, essencialmente com saúde!

E se há uns meses deixei sugestões de brincadeiras entre pais e filhos, agora deixo sugestões para as crianças brincarem sozinhas!

Portanto, este artigo, para não variar, estava há meses na gaveta, poderei mesmo dizer desde o primeiro confinamento. Mas o tempo não era muito, e foi-se arrastando, por isso sai agora do forno. Mas é um artigo que vem no timing certo!

Para além disso, este artigo vem num molde diferente, mas igualmente interessante! Pois realizei uma pequena entrevista com a Dra. Ana Carmo, Terapeuta Ocupacional, cujo meu menino chama carinhosamente de Dra. Brinquedos 😀

Então, vamos a isso??

 

Ola doutora pode apresentar-se um pouco sff 😀

Bom dia

Antes de mais, obrigada pelo convite e pela oportunidade de falar sobre algo que acho tão importante

Começando por mim, o meu nome é Ana Luís Carmo e sou terapeuta ocupacional, mestre em Terapia Ocupacional especializada em Integração Sensorial. 

Trabalho com crianças desde 2005 e continua a ser uma paixão descobrir como chegar a cada uma e como ajudar a família a descobrir novos caminhos de olhar para todo o potencial presente em cada criança. 

Ultimamente, até me chamam Dra. Brinquedos :))

Ahah pois é! Sinal que as “consultas são muito divertidas!!! Bom, no início do confinamento publiquei um artigo com 16 ideias de atividades que os pais poderiam realizar com os filhos. Hoje pretendo dicas para as crianças brincarem sozinhas! Acha que faz sentido? Ou serei só uma mãe com falta de ideias após 5 semanas de isolamento? 😀 [Pois é, quando realizei a entrevista estávamos no primeiro confinamento e já contávamos com 5 semanas de isolamento]

No início desta fase que todos atravessamos, foi importante equipar as famílias de como organizar o seu dia a dia e de como poderiam criar atividades que fossem ao encontro das necessidades da criança e, da própria família.

Em qualquer etapa, faz muito sentido as crianças terem oportunidades para brincarem sozinhas, para criarem sozinhas e terem autonomia para isso. Após 5 semanas de isolamento, começamos também nós a necessitar de tempo e espaço para os nossos papéis ocupacionais (aquilo que nos identifica como pessoas e seres, para além de mães/pais), daí sentir, se calhar, maior necessidade desse envolvimento no brincar por parte dos seus filhos.

 

Então diga-me, qual a importância de as crianças serem TAMBÉM incentivadas a brincarem sozinhas? E não somente brincarem acompanhadas pelos pais.

Brincar é um direito universal da criança e a sua principal ocupação! 

Segundo a IPA (International Play Association) o brincar é essencial para a saúde física e mental da criança, é parte da educação, é essencial na vida familiar e comunitária, e, por isso, devem ser criadas oportunidade para a criança brincar. 

Em relação ao brincarem sozinhas, surge naturalmente com o desenvolvimento à medida em que conseguem manter a atenção por maiores períodos de tempo e conseguem criar novas ideias/novas sequências de como brincar (juntando diferentes partes de materiais, misturando materiais diferentes…). 

Brincar com os pais é extremamente rico também, pois estão a partilhar o prazer, a alegria e a diversão com as pessoas que são mais significativas. E o brincar está diretamente ligado com o bem estar. 🙂 Por vezes, podemos cair na tentação de orientar demasiado a brincadeira das crianças, ou não lhe darmos possibilidades de resolverem os “problemas” que surgem durante o brincar, sozinhas (testando, experimentando, modificando a posição do corpo, do objeto, da relação no espaço) e assim estamos a limitar todo o potencial que temos o privilégio de assistir!

 

E tem alguma sugestão de estratégias para os pais de crianças que têm maior dificuldade em brincarem sozinhas? Pergunto pois vejo a diferença entre os meus dois, um tem imaginação de sobra, o outro nem ousa brincar sozinho.

A criança começa inicialmente por brincar com o corpo, muito iniciadas em fases precoces do desenvolvimento pelos cuidadores (festinhas, soprar, “cu-cu”, dar turrinhas) e depois, à medida que as competências motoras se vão desenvolvendo o trepar, empurrar, subir, descer, passar por cima, por baixo. Depois, envolve-se também o brincar com objeto, como relacionar esta parte do corpo com este objeto específico, como o ponho a funcionar, para que serve, que sons faz, que faço se o colocar perto ou dentro de outro…

O que vejo no meu dia-a-dia como mãe e terapeuta ocupacional é que o brincar com o corpo está menos valorizado, ou é passado para um segundo plano, e passamos logo a querer que a criança desenvolva as competências cognitivas (cores, números, letras, formas…) ou mesmo, com o uso das tecnologias, o corpo está parado e passa a não ter uso/função no brincar.

Voltando à sua questão, se as competências deste “corpo” não estão aprimoradas, dificilmente passamos a brincadeiras mais complexas como o brincar simbólico que nos permite o tal “brincar sozinhos” por maiores períodos de tempo.

 

Ainda neste seguimento, existem algumas estratégias específicas consoante a idade da criança? A partir de que idade deveremos “trabalhar” o facto de brincarem sozinhas?

Existem claro estratégias específicas para a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra (que algumas vezes, devido a imaturidade, não corresponde à sua faixa etária). 

Se pensarmos neste encadeamento de ideias  —- brincar com o corpo — brincar com objetos — brincar simbólico com tudo o que inclui cada etapa, podemos pensar em estratégias específicas para cada uma. Mas isso daria outro artigo maior :)))

 E como disse acima, o brincar é um direito universal e é inato! Ou seja, é algo que surge, quando tudo ocorre dentro do esperado, sem haver necessidade de ser “trabalhado”. Quando observamos uma criança brincar (no seu sentido pleno) têm que estar presentes algumas características: é essencial a motivação intrínseca, onde a criança é livre para se envolver e por controlar as suas iniciativas; o controlo interno (a criança está no controlo das suas ações e decide quando fazer mudanças no processo); a liberdade para suspender a realidade (palhaçadas, travessuras) e o enquadramento do brincar (surge fora da vida real, e a criança dá pistas de quando está ou não a brincar). Toda a ação da criança está dirigida ao processo de brincar e não no produto final. 

 

E para os pais de filhos com necessidades especiais, até que ponto poderá ser válido brincarem sozinhas? Acredito que dependa da patologia associada. Pode falar pelo menos um pouquinho nisso? Pois acredito que seja assunto que dá “pano para mangas” e que o ideal será haver o acompanhamento/aconselhamento das terapeutas incluídas nas rotinas das crianças.

Sim, está relacionado com cada patologia, mas claro que é possível o brincar sozinho. Muitas vezes, com alterações neuromotoras o brincar fica limitado porque os objetos e o meio não estão adaptados às competências presentes na criança. No entanto, o Brincar continua a ser uma necessidade básica e a principal ocupação de uma criança. 

É um processo de equipa (família, escola e equipa terapêutica da criança), ou seja, são definidas as principais preocupações, necessidades, motivações da família e da criança e são trabalhadas em conjunto, para atingirmos as mesmas. 

 

Finalizando, para quem gostaria de obter mais informações/apoio sobre estas estratégias e outras mais, como poderá entrar em contacto consigo? 😀

Eu trabalho nos Miúdos & etc, em Faro. É um centro de estimulação do desenvolvimento e aprendizagem, onde acompanhamos crianças e as suas famílias, quando há algo no seu desenvolvimento que esteja a ter impacto no seu envolvimento nas atividades do dia a dia: alimentação, sono, educação, brincar, lazer. 

O meu email é analu.carmo@gmail.com e o meu contacto é 963537395.

Obrigada mais uma vez pelo interesse e curiosidade!

Beijinhos

Dra. Brinquedos 🙂

 

Um Obrigada especial à Dra. Ana que foi uma querida e sempre super disponível!

E, em jeito de conclusão, podemos reter que:

–  É tão importante as crianças brincarem acompanhadas (pois aqui a criança partilha o prazer, a alegria e a diversão com as pessoas que mais ama), como brincarem sozinhas, que demonstra maior maturidade em termos de atenção, conhecimento do seu próprio corpo e as suas competências, por exemplo.

– É importante valorizar o brincar com o corpo, como por exemplo “empurrar, subir, descer, passar por cima, por baixo; o brincar com objeto, como relacionar esta parte do corpo com este objeto específico, como o ponho a funcionar, para que serve, que sons faz, que faço se o colocar perto ou dentro de outro.”, pois isso contribui para que a criança passe para brincadeiras mais complexas como o “brincar sozinho”, e deixar um pouquinho mais de lado as aprendizagens cognitivas como as letras e números.

 

E agora, deixo igualmente aqui algumas “brincadeiras”…

…que poderá sugerir aos seus pequenos, que lhe darão alguns minutos para estender aquela roupa, ou responder a alguns emails, ou ainda retribuir uma chamada. Permite-lhes brincarem sozinhos mas sempre com o seu olhar atento 😉

Para os bebés!

1) Cestos dos tesouros: ideal para bebés. São cestos onde coloca 15 a 20 objectos de uso diário, para apresentar ao seu bebé diferentes formas, cores, sons e texturas, promovendo a estimulação dos seus sentidos (clique AQUI para saber mais)

2) Quadro sensorial: Outra brincadeira perfeita para desenvolver a atenção e a concentração do bebé; Aqui cola diferentes materiais numa cartolina ou cartão por exemplo, para estimular o tato e a visão do bebé (massas, palhinhas, cordas, paus, esponjas, etc (Exemplo AQUI).

A partir dos 2 anos +/- :

1) Pinturas com aguarelas ou canetas de feltro (idealmente aquelas que se lavam com água, não vá a veia artística chegar ao sofá da sala ou às paredes de casa)

2) Recipientes de água colorida: Aqui a criança explora as cores e vai passando a água de um recipiente para outro. Uma brincadeira engraçada para os maiorzinhos. Pode saber mais clicando AQUI

3) Plasticina: Plasticina ou massa moldável com outros objectos usados como carimbos. A plasticina apesar de ser aquele pesadelo que se agarra a tudo, a partir de uma certa idade já consegue contornar essa situação. Os meus por exemplo sabem que plasticina é exclusivamente sobre a mesa da cozinha. Torna tudo mais fácil de limpar. E se juntar à plasticina botões, um pente das bonecas, massas, peça de lego, etc, o resultado será muito giro e ficarão super entretidos.

4) História + desenho: Primeiro lê a história e depois deixa as crianças darem asos à sua imaginação e pintarem algo que gostaram mais na história.

5) Pintura com plasticina: aqui dá um desenho à criança, e ela com a plasticina irá preencher as diversas partes do desenho.

6) Restaurante: Os meus adoram! Têm diversos ingredientes em plástico ou tecido ou madeira e brincam aos restaurantes onde um é o cozinheiro e o outro o cliente, às vezes a cliente sou eu também com direito a entrega ao domicílio (diga-se ao computador ahah).

7) Pauzinhos de velcro: super fácil de preparar. Pode preparar com eles os pauzinhos (pauzinhos de gelado + pintar com aguarela + colar pedaços de velcro nas pontas); depois é só deixa-los secar e quando estiverem prontos eles poderão montar o que a sua imaginação permitir.

 

E a partir dos 3 ou 4 anos:

1) Cantinho do brincar: forma de propor uma brincadeira que acaba por se tornar mais criativa misturando objectos que geralmente não estão juntos e não têm nada a ver uns com os outros:
A) Bonecos + copo plástico + rolhas + molas da roupa+ caixa;
B) Bonecas (barbies ou frozen etc) + lenços/encharpes coloridos + caixa de cartão + argolas (tipo pulseiras circulares) – daqui poderá surgir por exemplo um desfile de moda, palco de teatro, palco de circo, etc);
C) Misturar bonecos de várias histórias (super heróis, barbies, cinderela, frozen, etc) o que permitirá à criança criar uma história nova;
D) Kit para montar cupcakes (bolas de plasticina + botões + pedrinhas + palhinhas cortadas aos pedacinhos + velinhas+formas de cupcakes de papel, aquelas decorativas ou de ir ao forno)

 

E pronto, espero que tenha gostado desta entrevista, bem como das sugestões de jogos para as crianças brincarem sozinhas!

Pois bem, agora é deixar as suas crianças darem asos à sua imaginação! Para além disso, permita-se observá-los na sua descoberta, nas suas invenções e claroooooo fotografar/ filmar para mais tarde recordar 😉

 

Tentarei trazer mais artigos interessantes para si, por entre artigos com lindas sessões 😉

 

Boa semana!!!!

Suzy
www.suzyvieira.pt